terça-feira, 9 de novembro de 2010


Nunca foi tão difícil escrever sobre o que sinto. É como escrever sobre o que eu não domino, não entendo, não conheço, não defino.
E quando o natural seria temer essa total indefinição, eu me acomodo confortavelmente no seu abraço e sinto com toda a certeza do mundo que não há outro lugar onde eu gostaria de estar.
Talvez seja o jeito como você beija a minha mão e brinca com o meu anel. Ou o fato de que você sempre sabe quando estou com as unhas feitas e com um esmalte diferente.
Eu não sei mesmo o que me faz ficar. Eu não sei por que comecei e nem por que já tenho vontade de acordar com você todos os dias. Eu não sei por que troquei a busca por definições pelo caminho da sua casa.
Também não sei dizer de onde vem tanta segurança, tanto carinho e nem para onde foi o meu pudor. Pra quem não queria tão cedo se expor à vontade do outro, eu me entreguei fácil demais.
Talvez seja o jeito como você se preocupa comigo e me dá boa noite. Talvez sejam as suas piadas bobas e o jeito como você diz obrigado aos garçons.
Eu não sei como você consegue tanto de mim... e nem como eu posso ter a cara de pau de pedir tanto de você. Também não tenho a mínima ideia de que parte desse caminho me fez tão abobadamente romântica.
É tanta diferença que nem parece possível conviver. Enquanto eu escancaro as minhas neuras pra quem quiser ler, você resolve as suas com um porre bem tomado.
Mas talvez seja o jeito como você releva as minhas crises ou o fato de não brigar com os meus argumentos. E enquanto eu me mato de curiosidade sobre a sua vida, você escuta pacientemente os meus “eu pensei uma coisa hoje” e se esforça, um tanto que eu não tenho noção da medida, pra me agradar.
É tudo tão real que nem me dou mais ao trabalho de procurar as sensações que uma paixão “normal” deveria me causar. Que você goste de mim despenteada e morta de cansaço. Com você eu não preciso fazer de conta que o cabelo está sempre arrumado nem morrer de taquicardia a cada aparição. E que eu goste de você mesmo que ronque a noite toda no meu ouvido ou me deixe em casa porque quer assistir o jogo de futebol americano. Que a gente simplesmente se goste porque as coisas decerto devem de ser assim mesmo.
Sem nome, sem medida, sem roteiro. Um gostar daqui até aqui.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Há tempos eu perdi a incontrolável mania de escrever tudo enquanto. Agora só escrevo quando estou triste ou incomodada demais. Meu prazer virou lamentação, que trágico.
Não é mais para tocar ninguém ou para me fazer entender... agora é só porque cansei de falar ou perdi a graça mesmo.
E hoje, quando era muito mais fácil culpar o meu descontrole hormonal, eu não resisti e vim reclamar de um jeito vão. Bom, tão vão quanto qualquer outra tentativa foi até agora.
Não sei se entrei pro clube dos rabugentos e insatisfeitos ou se só estou enlouquecida demais. Nunca pensei que eu pudesse ser tão chata, assim como nunca pensei que poderia querer tanto outra vez.
E é uma contradição absurda temer tanto a queda e me jogar cada vez mais. E é um absurdo me colocar em situações que eu já jurei em cenas cinematográficas nunca mais viver.
Então, enquanto escrevo e vou pensando que existem boas intenções, vou me dando conta de que se não é demais, não serve. E que se eu já pedi tanto, não devia mais continuar sem. Tem coisa que chega a ser humilhante!
Eu sou um esforço constante pra não mudar de ideia, eu me esforço todo dia pra não achar tudo um tédio e querer mudar pro Pará! Eu tô inquieta e não quero fazer par com a insatisfação. Mas se eu dou muito, eu não consigo esperar o mínimo, eu quero tudo.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Pronto, falei!

Eu sempre fui muito caxias, daquelas que não suportam um trato não cumprido. E eu sempre fui mais incompreensiva comigo do que com os que me deixavam na mão.
Agora aviso que estou flexibilizando as coisas. Ainda acredito que o certo é cumprir tudo e ser boa com todo mundo, mas não tenho mais a compreensão que tinha antes.
Sinceramente, agora me preocupo comigo... e tenho muitas razões pra isso. Egocêntrica? Sim, quem não precisa de si mesmo pra sobreviver?
Dos que têm a crítica na ponta da língua, eu não recebi mais nada além de críticas. Dos que eu fiz um esforço tremendo pra guardar com carinho, eu não recebi mais nada além de veneno. E devo confessar ainda mais sinceramente: que vergonha eu sinto pela mediocridade de vocês.
Se o que faltava era vacina, já providenciaram doses suficientes. Só não vou mandar embora o meu espanto a cada nova maldade porque esse não é o tipo de coisa com a qual eu quero me acostumar.
E se vier uma vontade súbita de questionar as minhas falhas, seja corajoso o suficiente para cuidar das suas. Se questione o que tem me dado para receber o que volta.
Estou mesmo muito magoada, decepcionada, cansada e com vontade de sacudir meia de dúzia de gente.
Não me orgulho das tarefas que não consigo concluir, mas não vou me matar por isso. Há muitas falhas dos dois lados e o ataque só vem pra mim. Eu me cansei.
Não sou perfeita, não dou conta de tudo e não vou me esforçar para dar mais a quem só me machuca.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Hoje você merece uma reedição. Merecia um "vai pastar", mas estou de bom humor.
Na verdade, quem não conseguiu me oferecer nem respeito não merecia coisa alguma.

domingo, 8 de novembro de 2009


Você me ofende.
Ofende meu bom gosto, meu bom senso.
Ofende minha inteligência, minha intuição.
Ofende meus valores e minhas utopias.
Ofende a minha decência e o meu amor próprio.
Vivendo você me ofende. Me ofenderia ainda que vegetasse.
Você me ofende com as suas palavras e mais ainda com o seu silêncio.
Você me ofende profundamente.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Seu cheiro do inverno passado

Vem chegando mais um inverno e eu mais uma vez tento me convencer de que o cheiro desse hidratante na minha pele é meu e não seu.
Preciso fazer um esforço gigante pra aceitar que todas as lingeries não foram compradas em vão, que só mudaram de tempo.
Chegam tantos outros dias e eu não me canso de indagar até quando vou ter que te levar comigo.
Eu me vejo tão realizada e cheia de coisas pra cuidar. Passo uma semana inteira achando que você não é mais muita coisa. Me jogo no trabalho e nem me lembro que não ouvi seu bom dia  e nem ri das suas piadas idiotas. Até que ouço uma daquelas músicas e me dou conta de que você nunca passa. De um jeito ou de outro, você sempre está aqui.
Às vezes, tenho vontade de te chacoalhar e pedir que me olhe, ao menos uma vez, como uma possibilidade. Dia sim, dia não, me seguro pra não te pedir pra voltar. E, sabendo de que nada adiantaria, eu faço de conta que não foi tudo isso e me convenço de que pelo menos com o orgulho inteiro eu saí (quanta bobagem). Faço de conta de que não foi nada demais.
Eu tenho mil coisas pra te contar, mas tenho certeza que ficaria muda na primeira oportunidade de te encarar.
Sei que nunca te amei e isso não me tranquiliza em nada. Se eu ao menos soubesse que loucura é essa...
Só sei da minha vontade de te dar um beijo, de zombar da sua cara, de te contar dos meus atropelos e desse cheiro do hidratante do inverno passado...

Me lembro de vc como se tudo fosse simples como um "just say yes"
http://www.youtube.com/watch?v=vW1hv37imjw

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Me despeço


Te ver passar e não sorrir
Te ver chorar e então partir
Eu me despeço
De tudo que você deixou
Eu me agarro
Em coisas que você não quis
Deixa cair no chão
Os pés descalços
Alcançam sua melhor forma de estar aqui
Me deito pra sentir
Vejo através de tudo
Quando o desejo esconde toda indignação
Não vou ficar e me esconder
Só pra não ter outro de você
Eu me despeço
De tudo que você deixou
Eu me agarro
Em coisas que você não quis
Eu me despeço
Eu me despeço
Eu me despeço

(Ricardo Araújo)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Bom dia pra mim, bom dia pra vocês!

Ter um paquera diário é coisa complicada. Paquerar no ponto de ônibus então... que martírio! Considerando que o bate horário é sete e meia da manhã e minha cara está sempre muito mais amassada que a do resto do mundo, eu diria que me envolvi em uma tarefinha bem ingrata.


Tudo bem que o encontro do quarteirão de cima com o quarteirão de baixo na esquina me rende uma alegria, mas que situação embaraçosa!

E aí, justo quando o meu cabelo está mais desgrenhado que o de costume, quando estou usando meus óculos de grau e aquela blusa azul mais sem graça, ele resolve me dar bom bia. Por que eu não escolhi aquela vermelha, a do decote que ajuda tudo?

Sei lá se ele prestou atenção em mais alguma coisa, não olhei depois pra verificar. Aliás, olhei sim! Olhei tanto que reparei que ele estava usando meias grossas com sapato social... como eu sei ser implicante! Será que não bastava toda a altura do menino?

Mas é assim mesmo, a gente tem uma capacidade e tanto de melar até as possibilidades mais improváveis. A gente? Não... to falando de mim.

Vou pular a parte das meias e do cabelo precisando urgentemente de corte (a-há, achei mais um defeitinho) e vou me ater ao “bom dia”.

Três dias seguidos de “bom dia” pra mim e pra todos vocês. =)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Cantoria

Fidelity - Regina Spektor


I never loved nobody fully

Always one foot on the ground
And by protecting my heart truly
I got lost in the sounds
I hear in my mind
All these voices
I hear in my mind all these words
I hear in my mind all this music
And it breaks my heart
And it breaks my heart
And it breaks my heart
It breaks my heart

And suppose I never ever met you
Suppose we never fell in love
Suppose I never ever let you kiss me so sweet and so soft
Suppose I never ever saw you
Suppose we never ever called
Suppose I kept on singing love songs just to brake my own fall
Just to brake my fall
Just to brake my fall
Just to brake my fall
Brake my fall
All my friends say that of course its gonna get better
Gonna get better
Better better better better
Better better better

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Pronto! Agora que arranquei o meu esmalte com os dentes, quebrei minhas unhas e estou engasgada com mais coisa do que com as suas habituais mancadas, posso sair correndo, queimar minhas lembranças e rasgar sua camisa?


Agora que já nem dói tanto, posso parar de sentir enjôo no estômago a cada novo romance que você engata? Posso parar? Consigo parar?

Agora que eu tenho certeza de que você é meu maior sentimento, meu melhor momento e minha euforia mais sincera, posso parar? Como parar?

Se a cada nova tentativa só me lembro da sua graça, se meu coração só dispara quando você me encosta, ou me olha, ou me chama... Como parar?

Eu odeio você... como eu queria poder gritar “EU ODEIO VOCÊ”... agora mesmo, pra todo mundo escutar.

Como parar? Me fala... me diga como parar!

Se não é você, eu não deixo subir, eu não deixo ficar. Se não é o seu cheiro que fica na minha blusa, eu não faço questão de lembrar. Se não é você ...

Me diga, como parar?

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Tão Pouco


De repente redescobria o amor que sentira ao ver estampada na foto aquela expressão tão familiar de “não estou nem aí”. Via na foto porque na vida não tinha mais nada. E, como se alguma vez tivesse, sobrevivia a doses homeopáticas de atenção.
Doses tão econômicas que sequer davam pro gasto. Então, como quem não vive sem, as poupava. Gastar vivendo o pouco que recebia não mantinha esse coração, mas alimentava uma lembrança desnutrida e à mercê da inanição.
Lembrar era a única opção, porque não ter de forma alguma nunca esteve entre as possibilidades aceitáveis.
Parecia martírio, tortura ou autoflagelação. E aí diziam que o amor, e seus braços e vertentes menos nobres, às vezes mutilam. Assim, aceitava os sorrisos compartilhados apenas nas fotografias sem que as fotografasse ou fosse a razão daquela face iluminada. Via com olhos de mero espectador, mas não via indiferente. E doía não ver esses álbuns como quem via um calendário de paisagens qualquer. Via nas expressões meticulosamente observadas por tanto tempo, a explicação de tudo o que queria ter. Via e entendia cada gesto, cada sobrancelha arqueada ou lábio mordiscado, cada mão no bolso.
E eram apenas resquícios, gotas de atenção dissolvidas em milhares de litros de indiferença e nenhuma compaixão. 
Dizendo tão pouco, recebendo tão pouco, acostumando-se com tão pouco, se apegava ao "tão" como se houvesse algo e o "pouco" fosse só uma questão de azar das circunstâncias





segunda-feira, 5 de abril de 2010

Mentirinhas uma pinóia! O amor anda é sem moral.

Às vezes, pra dar conta de superar uma decepção, a gente acredita em algumas mentiras. Então, pra quem ainda alimenta (e sabe que alimenta) um monte de mentirinhas brancas, eu sugiro que pule pra um post menos cruel.
Pois bem, a primeira falácia é aquela que diz que o tempo vai passar e as coisas vão melhorar. As coisas não melhoram porcaria nenhuma. Pode até ser que a gente esqueça, estrategicamente, as piores partes. E pode até ser que alguma outra coisa ou pessoa apareça pra nos distrair. Mas a verdade é que se deu errado, o tempo pode passar o quanto quiser que não vai fazer a coisa em si menos errada.
Também não adiantam muito todos os discursos de autovalorização ou as tentativas incansáveis dos amigos de fazer com que a gente perceba e entenda o quão especiais e inteligentes e bonitas e merecedoras de um amor incondicional nós somos. Meu bem, a única coisa que vai contar, e doer por muito tempo, é o fato inegável de que “ele” não liga a mínima pra sua lista imensa de qualidades. E também não interessa se a Halle Berry, que é a Halle Berry, já passou por isso. Nessas horas não faz diferença nenhuma que o mundo inteiro já tenha sofrido, se humilhado, esperado e chorado por causa um pé na bunda... a única dor que verdadeiramente importa é a que se sente (e olha que eu costumo ser bastante sensível à dor do outro). As duplas sertanejas não fazem sucesso por acaso, há milhares de mal amados perambulando por aí, alcoolizados e choramingosos. Mas não, nessas horas todas as músicas parecem feitas especialmente pra sua própria dor, pra sua burrice, pra sua entrega desmedida, e a gente vai achar que, mesmo tocando na seqüência das 10 mais pedidas do dia, aquele “Você não sabe um por cento da dor e da saudade que você deixou. Sai da minha vida pelo amor de Deus, para de zombar dos sentimentos meus” é só pra machucar a sua ferida, ou a minha... que seja.

Quando a gente se apaixona (ou se qualquer outra coisa nesse sentido), também não interessa muito o seu nível de bom senso e esperteza. A mulher mais letrada e avisada desse mundo corre o risco de se desarmar. E nessa hora eu me pergunto, e eu te pergunto, por que é que a gente ainda insiste em correr esse risco? Vamos ser realistas... quantos casais felizes a gente conhece? Quantas das suas paixões se tornaram relacionamentos bacanas? É sério... o mundo inteiro só fala de amor, eu só escrevo sobre isso, se eu trocar as estações do rádio eu só vou ouvir falar disso... mas e daí? As pessoas continuam sozinhas, as coisas continuam dando errado, o infeliz por quem eu me apaixonei continua não gostando de mim. A diversão, o lado gostoso do descontrole cardíaco, a expectativa do primeiro beijo... isso vale toda a tristeza que o desprezo traz depois? Aonde esse risco tem nos levado?
Aí eu penso que se eu fosse burra ou romântica demais as coisas seriam mais fáceis. A falta de razões mínimas pra que eu sentisse tanta coisa dói tanto quando a falta de interesse do outro. Às vezes, é pior ser tão “preparada”, é quase como se a parte mais errada de toda a história não fosse o sentimento desperdiçado, mas a burrice de gostar de alguém que hora nenhuma se enquadrou no esperado. Ou seja, além de correr o risco, ainda corri o risco errado!! Teoricamente, as mulheres espertas não caem em lábias baratas. E quem é que regula a medida dessas coisas?
Aliás, as medidas falharam todas. Tenho vontade de voar no pescoço de cada um que colaborou para a instauração de todas essas táticas ridículas de conquista. A pessoa não gosta, e pronto! E nada vai fazer com que você aceite que é parte do livre arbítrio do outro não te querer. E é lógico que a gente não aceita... só uma barata aceitaria! Normal é querer chacoalhar a pessoa, querer saber a razão de não ser considerada nem uma possibilidade sequer... E, como se as respostas fossem adiantar alguma coisa ou machucar menos, a gente se mata engolindo todas essas vontades porque alguém disse que o certo é ignorar. Ignorar uma ova! Se o outro não gosta e não quer, não tem sumidinha que dê conta do serviço, não tem gelada que sirva de estímulo. Ou então, se dá certo com todo o resto do mundo, o problema deve mesmo ser só meu...
Olha, também é mentira essa história de que bonito é “lutar” pelo amor. Taí outra bobagem das grandes. Tudo bem que depende das estratégias, mas como nesse caso o que contam são as que eu possuo e atesto inválidas, vou logo dizendo que não vale a pena. Homens, por mais especiais que sejam, sempre que tiverem uma oportunidade vão pisar, vão se colocar em uma posição superior. E não há nada mais verdadeiro do que a história de que quando um cara quer, ele vai atrás (aliás, acho que essa foi a única colaboração que o cinema nos deu). Me acredite, ele sabe o suficiente para tentar com você, não precisa ir correndo revelar seus preciosos sentimentos. E se ele não tenta, não é porque quer te preservar e não te incluir no hall das mulheres com ele fica só por ficar, ele não tenta porque não quer mesmo! Então, neste ponto, eis que surge um dos mais cruéis momentos: e se ele quisesse só por esporte? Só por ficar? A gente se contenta com “alguma coisa” ou engole seco mais uma vez porque a autovalorização, e a razão e a inteligência não permitem que sigamos esse caminho? Ou a gente fica porque vale pelo momento? A gente fica porque ele pode perceber que é bom e mudar de idéia? Como a gente fica indefeso quando gosta de alguém...

É mesmo uma pena o que as paixões fazem com o mundo... e comigo. Então, faz todo o sentido optar pelas mentirinhas, acreditar piamente que o tempo vai passar e fazer com que as dores de hoje não sejam grande coisa. E mesmo que o tempo seja relativo e, nesse caso, esteja passando mais lento do que nunca, fazer de conta que ele resolve é um amparo. Mas acho que é como quase tudo na vida... tem graça aquilo em que a gente acredita. Deve ser por isso que o “amor” anda meio sem moral comigo.

sexta-feira, 26 de março de 2010

JANTAR COM A MULHER

Primeiro texto alheio que coloco neste blog. Não escrevi, mas assino embaixo!
Mulheres: Divirtam-se! Homens: Aprendam! (Pelo amor de Deus! Já é hora!)



JANTAR COM A MULHER



Quando um homem chama uma mulher para sair, não sabe o grau de estresse que isso desencadeia em nossas vidas. O que venho contar aqui hoje é mais dedicado aos homens do que às mulheres. Acho importante que eles saibam


O que se passa nos bastidores. Você, mulher, está flertando um Zé Ruela qualquer. Com sorte, ele acaba te chamando para sair. Vamos supor, um jantar.


Ele diz, como se fosse a coisa mais simples do mundo 'Vamos jantar amanhã?'.


Você sorri e responde, como se fosse a coisa mais simples do mundo: 'Claro, vamos sim'.


Começou o inferno na Terra. Foi dada a largada. Você começa a se reprogramar mentalmente e pensar em tudo que tem que fazer para estar apresentável até lá. Cancela todos os seus compromissos canceláveis e começa a odisséia.


Evidentemente, você também para de comer, afinal, quer estar em forma no dia do jantar e mulher sempre se acha gorda. Daqui pra frente, você começa a fazer a dieta do queijo: fica sem comer nada o dia inteiro e quando sente que vai desmaiar come uma fatia de queijo. Muito saudável.


Primeira coisa: fazer mãos e pés. Quem se importa se é inverno e você provavelmente vai usar uma bota de cano alto? Mãos e pés tem que estar feitos - e lá se vai uma hora do seu dia. Vocês (homens) devem estar se perguntando 'Mão tudo bem, mas porque pé, se ela vai de botas?' Lei de Murphy. Sempre dá merda.


Uma vez pensei assim e o infeliz me levou para um restaurante japonês daqueles em que tem que tirar o sapato para sentar naqueles tatames. Tomei no cu bonito! Tive que tirar o sapato com aquela sola do pé cracuda, esmalte semi-descascado e cutícula do tamanho de um champignon! Vai que ele te coloca em alguma outra situação impossível de prever que te obriga a tirar o sapato? Para nossa paz de espírito, melhor fazer mão é pé, até porque boa parte dessa raça tem uma tara bizarra por pé feminino. OBS: Isso me emputece. Passo horas na academia malhando minha bunda e o desgraçado vai reparar justamente onde? Na porra do pé! Isso é coisa de... Melhor mudar de assunto...


As mais caprichosas, além de fazer mão e pé, ainda fazem algum tratamento capilar no salão: hidratação, escova, corte, tintura, retoque de raiz, etc. Eu não faço, mas conheço quem faça.


Ah sim, já ia esquecendo. Tem a depilação. Essa os homens não podem nem contestar. Quem quer sair com uma mulher não depilada, mesmo que seja apenas para um inocente jantar? Lá vai você depilar perna, axila, virilha, sobrancelha etc, etc. Tem mulher que depila até o cu! Mulher sofre! E lá se vai mais uma hora do seu dia. E uma hora bem dolorida, diga-se de passagem.


Dia seguinte.


É hoje seu grande dia. Quando vou sair com alguém, faço questão da dar uma passada na academia no dia, para malhar desumanamente até quase cuspir o pulmão. Não, não é para emagrecer, é para deixar minha bunda e minhas pernas enormes e durinhas (elas ficam inchadas depois de malhar).


Geralmente, o Zé Ruela não comunica onde vai levar a gente. Surge aquele dilema da roupa. Com certeza você vai errar, resta escolher se quer errar para mais ou para menos. Se te serve de consolo, ele não vai perceber.


Alias, ele não vai perceber nada. Você pode aparecer de Armani ou enrolada em um saco de batatas, tanto faz. Eles não reparam em detalhe nenhum, mas sabem dizer quando estamos bonitas (só não sabem o porquê). Mas, é como dizia Angie Dickinson: 'Eu me visto para as mulheres e me dispo para os homens'. Não tem como, a gente se arruma, mesmo que eles não reparem.


Escolhida a roupa, com a resignação que você vai errar, para mais ou para menos, vem a etapa do banho. Depois do banho e do cabelo, vem a maquiagem. Nessa etapa eu perco muito tempo. Lá vai a babaca separar cílio por cílio com palito de dente depois de passar rímel.


Depois vem a hora de se vestir. Homens não entendem, mas tem dias que a gente acorda gorda. É sério, no dia anterior o corpo estava lindo e no dia seguinte... PORCA! Não sei o que é (provavelmente nossa imaginação), mas eu juro que acontece. Muitas vezes você compra uma roupa para um evento, na loja fica linda e na hora de sair fica uma merda. Se for um desses dias em que seu corpo está uma merda e o espelho está de sacanagem com a sua cara, é provável que você acabe com um pilha de roupas recusadas em cima da cama, chorando, com um armário cheio de roupa gritando 'EU NÃO TENHO ROOOOOUUUUUPAAAA'. O chato é ter que refazer a maquiagem. E quando você inventa de colocar aquela calça apertada e tem que deitar na cama e pedir para outro ser humano enfiar ela em você? Uma gracinha, já vai para o jantar lacrada a vácuo. Se espirrar a calça perfura o pâncreas.


Ok, você achou uma roupa que ficou boa. Vem o dilema da lingerie. Salvo raras exceções, roupa feminina (incluindo lingerie) ou é bonita, ou é confortável.


Você olha para aquela sua calcinha de algodão do tamanho de uma lona de circo. Ela é confortável. E cor de pele. Praticamente um método anticoncepcional. Você pensa 'Eu não vou dar para ele hoje mesmo, que se foooda'. Você veste a calcinha. Aí bate a culpa. Eu sinto culpa se ando com roupa confortável, meu inconsciente já associou estar bem vestida a sofrimento. Aí você começa a pensar 'E se mesmo sem dar para ele, ele pode acabar vendo a minha calcinha... Vai que no restaurante tem uma escada e eu tenho que subir na frente dele... se ele olhar para essa calcinha, broxará para todo o sempre comigo...'. Muito puta da vida, você tira a sua calcinha amiga e coloca uma daquelas porras mínimas e rendadas, que com certeza vão ficar entrando na sua bunda a noite toda. Melhor prevenir.


Os sapatos. Vale o mesmo que eu disse sobre roupas: ou é bonito, ou é confortável. Geralmente, quando tenho um encontro importante, opto por UMA PEÇA de roupa bem bonita e desconfortável, e o resto menos bonito mas confortável. FATO: Lei de Murphy impera. Com certeza me vai ser exigido esforço da parte comprometida pelo desconforto. Exemplo: Vou com roupa confortável e sapato assassino. Certeza que no meio da noite o animal vai soltar um 'Sei que você adora dançar, vamos sair para dançar! Eu tento fazer parecer que as lágrimas são de emoção. Uma vez, um sapato me machucou tanto, mas tanto, que fiz um bilhete para mim mesma e colei no sapato, para lembrar de nunca mais usar!. Porque eu não dei o sapato? Porra... me custou muito caro. Posso não usá-lo, mas quero tê-lo. Eu sei, eu sei, materialista do caralho. Vou voltar como besouro de esterco na próxima encarnação e comer muito coco para ver se evoluo espiritualmente! Mas por hora, o sapato fica.


Depois que você está toda montadinha, lutando mentalmente com seus dilemas do tipo 'será que dou para ele? É o terceiro encontro, talvez eu deva dar...' Começa a bater a ansiedade. Cada uma lida de um jeito.


Tenho um faniquito e começo a dizer que não quero ir. Não para ele, ligo para a infeliz da minha melhor amiga e digo que não quero mais ir, que sair para conhecer pessoas é muito estressante, que se um dia eu tiver um AVC é culpa dessa tensão toda que eu passei na vida toda em todos os primeiros encontros e que quero voltar tartaruga na próxima encarnação. Ela, coitada, escuta pacientemente e tenta me acalmar.


Agora imaginem vocês, se depois de tudo isso, o filho da puta liga e cancela o encontro? 'Surgiu um imprevisto, podemos deixar para semana que vem?'.


Gente, não é má vontade ou intransigência, mas eu acho inadmissível uma coisa dessas, a menos que seja algo muito grave! Eu fico puta, puta, PUTA da vida!


Claro, na cabecinha deles não custa nada mesmo, eles acham que é simples, que a gente levantou da cama e foi direto pro carro deles. Se eles soubessem o trabalho que dá, o estresse, o tempo perdido... nunca ousariam remarcar nada.


Se fode aí! Vem me buscar de maca e no soro, mas não desmarque comigo! Até porque, a essas alturas, a dieta radical do queijo está quase te fazendo desmaiar de fome, é questão de vida ou morte a porra do jantar! NÃO CANCELEM ENCONTROS A MENOS QUE TENHA ACONTECIDO ALGO MUITO, MUITO, GRAVE! DO TIPO...MORRER A MÃE OU O PAI TER UM AVC NO TRÂNSITO.


Supondo que ele venha. Ele liga e diz que está chegando. Você passa perfume, escova os dentes e vai. Quando entra no carro já toma um eufemismo na lata 'HUMMM... tá cheirosa!' (tecla sap: 'Passou muito perfume, porra'). Ele nem sequer olha para a sua roupa. Ele não repara em nada, ele acha que você é assim ao natural. Eu não ligo, porque acho que homem que repara muito é meio viado, mas isso frustra algumas mulheres. E se ele for tirar a sua roupa, grandes chances dele tirar a calça junto com a calcinha e nem ver. Pois é, Minha Amiga, você passou a noite toda com a rendinha atochada no rego (que por sinal custou muito caro) para nada. Homens, vocês sabiam que uma boa calcinha, de marca, pode custar o mesmo que um MP4? Favor tirar sem rasgar.


Quando é comigo, passo tanto estresse que chego no jantar com um pouco de raiva do cidadão. No meio da noite, já não sinto mais meus dedos dos pés, devido ao princípio de gangrena em função do sapato de bico fino. Quando ele conta piadas e ri eu penso 'É, eu também estaria de bom humor, contando piada, se não fosse essa calcinha intra-uterina raspando no colo do meu útero'. A culpa não é deles, é minha, por ser surtada com a estética. Sinto o estômago fagocitando meu fígado, mas apenas belisco a comida de leve. Fico constrangida de mostrar toda a minha potência estomacal assim, de primeira.


Para finalizar, quero ressaltar que eu falei aqui do desgaste emocional e da disponibilidade de tempo que um encontro nos provoca. Nem sequer entrei no mérito do DINHEIRO. Pois é, tudo isso custa caro. Vou fazer uma estimativa POR BAIXO, muito por baixo, porque geralmente pagamos bem mais do que isso e fazemos mais tratamentos estéticos:


Roupa............... ......... ......... ......... .......... ......... R$ 200,00


Lingerie.... ......... ......... ......... .......... ......... .........R$ 80,00


Maquiagem... ......... .......... ......... ......... ......... ....R$ 50,00


Sapato...... ......... .......... ......... ......... ....... .. ........R$ 150,00


Depilação..... ......... ......... ......... ......... ..... .... .....R$ 50,00


Mão e pé........... ......... ......... ......... ......... ...... ...R$ 15,00


Perfume..... ......... .......... ......... ......... ....... .. .......R$ 80,00


Pílula anticoncepcional. ......... ......... ...... .............R$ 20,00


Ou seja, JOGANDO O VALOR BEM PARA BAIXO, gastamos, no barato, R$ 500,00 para sair com um Zé Ruela. Entendem porque eu bato o pé e digo que homem TEM QUE PAGAR O MOTEL? A gente gasta muito mais para sair com eles do que ele com a gente!






Por isto amigos, valorizem seu próximo encontro e aprendam um pouco mais, sobre este ser fantástico, chamado mulher.


Homens...


Os homens bons são feios.


Os homens bonitos não são bons.


Os homens bonitos e bons são gays.


Os homens bonitos, bons e heterossexuais estão casados.


Os homens que não são bonitos, mas são bons, não têm dinheiro.


Os homens que não são bonitos, mas que são bons e com dinheiro, pensam que só


estamos atrás de seu dinheiro.


Os homens bonitos, que não são bons e são heterossexuais, não acham que somos suficientemente bonitas.


Os homens que nos acham bonitas, que são heterossexuais, bons e têm dinheiro, são covardes.


Os homens que são bonitos, bons, têm dinheiro e graças a Deus são heterossexuais, são tímidos e NUNCA DÃO O PRIMEIRO


PASSO!


Os homens que nunca dão o primeiro passo, automaticamente perdem o interesse em nós quando tomamos a iniciativa.


AGORA... QUEM NESSE MUNDO ENTENDE OS HOMENS?


MORAL DA HISTÓRIA:


Homens são como um bom vinho. Todos começam como uvas, e é dever da mulher pisa-los e mantê-los no escuro até que amadureçam e se tornem uma boa companhia


pro jantar.


ENVIE ISTO PARA:


MULHERES INTELIGENTES QUE PRECISEM DAR UMAS RISADAS...


e HOMENS CAPAZES DE LIDAR COM ISSO !!!


'Mulheres existem para serem amadas, não para serem


entendidas.'


(Vinicius de Moraes)






terça-feira, 9 de março de 2010

Menina Ângela

Ângela, Ângela. Angelical menina que com cuidado afina a medida do que vai dizer.
Ângela não tinha noção do perigo e tampouco sabia o que tinha a perder.
Ângela pensou que brincava, mas na verdade amava o que jamais podia ter.
Ângela, Ângela, muito me admira de você nada ouvir.
Se não estou enganada, pela estrada ficava o que deveria vir.
Ângela, Ângela, o mundo quer que grite com a garganta aberta.
E, na inocência da espera, Ângela acreditava que bastava pedir.
Menina Ângela, que os dias te façam mais esperta.
E que você entenda que é sempre um risco  cair.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

"Eu acho que ele é um cagão"

Eu sei que quase ninguém lê o que eu escrevo aqui, e talvez seja por isso que eu pouco me incomodo com "tanta exposição". Então, sem pensar nas mil interpretações que podem surgir nas cabeças mais curiosas (se é que elas passam por aqui), eu vou terminar de contar uma história. Sim, terminar... porque o começo, o meio, os outros fins e todos os desvios já estão aqui, despidos durante longos meses. Uma gestação inteira pra ser mais precisa. 

No começo do ano passado eu levei um susto. Minha mãe, a discrição em pessoa, me surpreendeu com a seguinte afirmação: "você é uma cagona". Passado o choque pelo uso tão atípico desse "palavrão", eu consegui acompanhar o seu raciocínio - talento necessário aos filhos de psicólogas. É que, segundo ela, eu mesma era responsável pela dificuldade com os meus amores. Eu queria, mas não deixava que eles acontecessem. Queria, mas tinha tanto medo que não dessem certo que já estragava no começo. Eu ainda acho que é coisa de mãe essa história de dizer que a gente não enxerga todas as possibilidades, que só enxerga o que quer ver e que é claro que tem "alguém" disponível pra gente. Mas de quase tudo ela tinha razão. Me apaixonar sempre foi um hobby, mas eu só deixava que fosse até um tanto, nunca deixei que fizessem parte disso de verdade. Então, eu era mesmo uma cagona. E minha mãe mal sabe que muito do que eu fiz foi por causa dessa grande "revelação".

Do meio vocês já sabem. Está tudo aqui. Talvez hoje eu não escreveria exatamente com as mesmas palavras, e isso é porque agora eu não sinto da mesma forma, mas eu respeito tudo o que eu senti e entendo que todas elas eram a minha verdade. Negar o óbvio seria a maior das minhas burrices.

Hoje a minha mãe, sem saber, me fez voltar no tempo e lembrar quando foi exatamente que as coisas mudaram pra mim. Dessa vez o discurso foi o seguinte: "Minha filha, é muito triste viver de migalhas da atenção de alguém ou de qualquer coisa. Ninguém merece viver de migalhas, sejam elas quais forem. E vc, especialmente você, não merece as migalhas que tem tido. O mérito, o talento, a capacidade e o que ficou são seus. Tudo o que ele te ofereceu é muito pouco, e eu acho que ele é um cagão".

Preciso dizer mais alguma coisa?

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Não sei por que te quero. Nem por que ainda uso esse verbo.
Não é mais o mesmo querer.
De todos os meus amores você é o único sem razão de ser.
Também não sei se poderia te incluir nessa categoria... Amores.
Deles eu quase sempre me esqueço... de você é mais difícil.

Eu me cansei, isso é fato.
Houve um esgotamento evidente. Impossível não notar.
Até você, que é você, notou. Bobagem insistir, eu sei.
Mas é que em algum lugar ficou um restinho.
Um inconveniente pedaço de carinho.

Eu queria saber de você.
Queria ver seus passos desconcertados ao som desse carnaval.
Pra quê?
Não entendo...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Resmungos da Layla

Eu sabia que existia uma razão para aquela minha vontade imensa de tirar férias, de fazer de conta que estava tudo certo e que assim que passasse o carnaval eu teria o que fazer.
Cheguei até a revelar para os mais próximos: ou estou achando que sou boa demais e vou conseguir emprego facinho ou estou morrendo de medo de tentar e não conseguir. É claro que eu estava correndo de tudo o que estou passando agora.

Uma coisa é ter colegas de faculdade e professores amigos me dizendo que não falho no meu texto e que no fim eu sempre faço o melhor. Outra coisa bem diferente é ter um mercado que não me conhece e não dá a mínima pras minhas paixões. Quase tudo se resume a "não te conheço", "eu quero alguém com experiência".
Eu sei que vou pagar um preço bem alto por querer ficar em Uberlândia. Não que seria fácil conseguir emprego em outro lugar, mas é que aqui é ao mesmo tempo muito perto de tudo que amo, e distante outro bocado daqueles planos ingênuos e pretensiosos que fiz pra minha carreira. Estar aqui é o começo do meu doloroso processo de escolha. Todo mundo sabe que escolher é umas das coisas que eu mais tenho dificuldade em fazer, eu não quero perder nada.... e olha que na teoria eu entendo perfeitamente o quanto ser assim é inadequado.

E em meio a tantas bordoadas, a sorte é que outras coisas boas que estão me aparecendo. É tão bom ver o que antes era motivo pra me jogar da sacada (não literalmente, por favor!) e não sentir nem vontade de trocar de calçada. É tão bom conhecer pessoas bem humoradas e solícitas. E eu venho tendo surpresas tão agradáveis... =D

O jeito agora é não surtar com essa ansiedade, desencanar do botão "atualizar" e desistir da telepatia que faria meu celular tocar. Será que eu devia contar que isso acontece? rsrsrs...

Bom, espero postar notícias boas em breve.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Uma vez mais. Não mais.

Eu até que tenho bastante coisa pra falar. Eu poderia começar contando como estão sendo os meus dias uberlandenses, como estou me divertindo com os novos amigos e bajulando os amigos de sempre. Ou poderia contar da saudade que tenho sentido de todos os detalhes de Bauru.
Mil coisas muito mais importantes e interessantes mereciam um lugar aqui, e eu me sinto até meio ingrata por não registrar todas as coisas boas e leves que estão pedindo pra entrar na minha vida.... mas, nessa hora em que a gente engasga e tudo o que eu posso fazer é escrever, quem sofre com meu dramalhão mexicano é esse espaço vago e democrático, tão íntimo e tão descarado.
Eu quero falar do que não vale a pena, do que é quase em vão. Eu quero falar das minhas escolhas erradas, das minhas lembranças ingratas e da minha reação inesperada. Muito me espanta tantos esforços desencontrados e tantas vezes o rosto virado. Muito me espanta essa intenção mascarada e essa fuga quase arrastada. E tudo muito me espanta porque eu realmente considero verdade as vezes que gritei em alto e bom som que "quase tudo" passou.
E aí agora escrevo para contar que sinto raiva do quase.
Eu sei que nessa história todos os testes me levaram às piores constatações. E eu sei que se minha mente fez o favor de distorcer a memória do que houve, devo parar de querer saber mais, de ver mais de perto, de ter mais um pouquinho. Meu sub consciente trabalha arduamente para que não me restem traumas e minha teimosia e despeito querem me jogar do meio da confusão... tudo só pra eu testar de novo, pra eu entender o que não tem explicação.
Durante longos meses eu tive a convicção da nobreza desse destino, a firmeza dessas escolhas. Foram tempos em que eu precisava maquiar a minha autopunição. Hoje ainda me resta o "quase", ainda me resta a tremedeira na mão, mas eu já posso me contar do arrependimento, da vontade de apagar o "quase" junto com o "tudo". Eu não quero mais ter essa parte pra lembrar, nem essas angústias pra contar. Eu não quero mais um caminho só.
Pela primeira vez, eu sinceramente não quero mais.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

As Joanas e o "Valorize-se"



Existe uma mania, um hábito estranho entre as mulheres. Nós acreditamos no discurso da autoajuda e disseminamos esse trágico conhecimento como se dominássemos a fórmula do “valorize-se”. Nossas sessões de fofoca e terapia em grupo só não são deprimentes quando aprendemos a dar gargalhadas dos nossos escorregões. Ontem participei de uma e ri bastante. E é incrível como nós, meninas-mulheres-profissionais, independentemente da cor do cabelo, manequim, área de atuação e interesse, nos perdemos justo quando o ponto é o do próprio valor.
A questão não é autoestima baixa, por mais que saibamos reconhecer ferozmente cada celulite. Não falo por todas as mulheres, reconheço que somos plurais demais para qualquer tentativa de generalização, tomo como referência um universo amostral bem mais delimitado. =D
A coisa fica complicada quando sabemos o que queremos, nos permitimos querer, e nos importamos com o que o outro vai pensar de nós. Esclareço:

Hipótese 1 – Joana está a fim de Paulo, fica com ele, gostou de ficar, não alimenta qualquer sonho romântico e acha que se rolar algo mais seria ótimo. Então, faz-se a vontade de Joana. Estaria tudo certo se, no dia seguinte, ela não se importasse com o que vai passar pela cabecinha, quase sempre limitada, do queridíssimo. E, é claro, seria tudo muito perfeito se não houvesse lugar na cabeça dela para uma série de indagações super chatas. Se o seu interesse era tão nítido e limitado, por que querer que haja um pós contato? Só para que caiba a ela dar um “perdido”? O problema de ele não ligar e não demonstrar mais interesse, é que Joana vai pensar em todas as possibilidades mais cabulosas. “Será que ele pensou que eu era mulher de uma noite só?”. “Será que ele não gostou?”. “Será que fiz alguma coisa errada?”. “Será que ele me acha uma piriguete?”. E o desempenho do Paulo pode até ter sido bem medíocre, a Joana vai querer uma notícia dele mesmo assim. “Se eu sei que sou boa, por que diabos Paulo não quer de novo?”.

Hipótese 2 – Joana é apaixonada por Paulo. Para Paulo tanto faz. Joana gosta de estar com ele, acha que a química entre os dois é sensacional. Paulo não demonstra muita coisa. Joana quer, Paulo não nega. Para Joana não é o suficiente, mas é ótimo, se sente bem e realizada por conseguir fazer valer sua vontade. Ela sabe que faz movida por sentimento, por desejo. Isso já justificaria suas atitudes, faz porque quer e gosta. Maaas... Joana pensa: “Paulo se apaixonaria por uma mulher que vai pra cama com ele sem compromisso?”. Será que Paulo conseguiria enxergar nas entrelinhas dessa entrega? E se Joana sabe do seu caráter, dos seus defeitos e qualidades, por que pensa que Paulo se apegaria justo ao sexo casual como fator determinante para não se apaixonar por ela? “Se eu sou tão boa, por que diabos Paulo não quer de novo?”.


E aí aparecem todas aquelas lições de “aprenda a se valorizar”. Mas como? Ceder às tentações do desejo não é valorizar a própria vontade? E como faz para chegar ao meio termo do comportamento indicado pelas revistas femininas e pelas amigas e mães mais conservadoras?
Se a Nova diz “se joga pimposa”, a amiga, do alto do seu temor, adverte: “ele não merece”.
Mas e a Joana, ela merece o que? O que nós merecemos?
Quando digo que o discurso do “valorize-se” gera um conhecimento trágico, estou declarando que nós não sabemos em que medida estamos nos valorizando ou não. Ainda não sabemos lidar com a idéia de que o outro talvez não enxergue o valor que sabemos ter. E aí, entenda que esse valor está diretamente ligado às idéias arraigadas de mulher virtuosa e decente que aprendemos como modelo ideal.
Chato isso, não?
E, quando nos juntamos para dividir nossas peripécias e angústias, nos vemos dizendo umas para as outras que é preciso se valorizar. Repetimos, como caminho ideal, uma fórmula que não sabemos como e quando usar. Nos ensinaram o estado perfeito, mas não mostraram muito didaticamente como chegar lá. Como não importar com a opinião dos outros? Como não deixar que um simples “não telefonema de dia seguinte” mastigue a segurança do que realmente somos? Onde esconderam a cartilha?

Torço para que as minhas Joanas encontrem o caminho e, de quebra, me mandem um mapa de presente.
=D